sábado, 16 de maio de 2020

Algumas Reflexões Humanas Em Tempos de Pandemia

Hoje entramos no quinquagésimo oitavo dia da quarentena, que deve perdurar por mais algum tempo. Durante esse "delta t" fiquei comigo, meus pensamentos e sentimentos, mas hoje resolvi compartilhá-los...


Para começar, sugiro que use essa trilha sonora...
ela pode ser inspiradora e ajudar na leitura!

Tem sido dias difíceis, com o distanciamento social, o fechamento do comércio. A tecnologia tratou de diminuir as distâncias e hoje vivemos parte do dia em "lives", "calls", chamadas de vídeo, mensagens instantâneas... mas... que falta faz um abraço! Que falta faz encostar num balcão e tomar uma cerveja! Que falta faz juntar a família para um almoço de domingo, um churrasco! Que falta faz poder caminhar no parque ou dar um mergulho na praia!

Nesses dias tenho pensado no quanto abdicamos de coisas cotidianas em nome dos nossos compromissos. Estamos sempre trabalhando muito, sempre atrasados (principalmente por conta do trânsito), perseguindo metas. Atualmente estamos em casa, cumprindo nossos compromissos, e vivendo a vida de uma outra maneira, numa outra velocidade e, ainda sim, acelerada e reinventando a rotina do lar que, agora,  também é ambiente de trabalho.

Li "A Peste", de Albert Camus, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, quando estava no colegial. Foram obras que me chamaram bastante a atenção, mas não poderia imaginar que, um dia, me depararia com uma realidade tão próxima das obras literárias. Na graduação me debrucei sobre livros de divulgação e ficção científica, tendo uma grande predileção por Isaac Asimov... mas aí a minha cabeça já era outra. Fã de Carl Sagan, assiti "Cosmos" na biblioteca do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, onde tinha cadeira cativa. Depois foi a vez de assistir "Universo Mecânico". Cursei "História da Matemática I", "História da Matemática II" e "História da Ciência" durante o curso de Matemática. Comecei a entender que o mundo não pode evoluir sem que a sua História seja lembrada, contada, recontada, considerada (sim, eu era avessa ao estudo de História até ingressar na graduação e passar por todas essas experiências, que citei anteriormente, para enxergar o quão importante é sabermos quais foram os passos dados pela Humanidade para chegarmos até aqui e se inspirando em sua  Linha do Tempo para dar os próximos passos).

Sempre gostei de ficção científica, desde criança, haja vista os livros que sempre gostei de ler, os filmes e desenhos animados que sempre me encantaram. Depois entendi que todos os autores dessas histórias incríveis tinham alguma formação ou envolvimento com a Ciência porque, sim, eles conseguiam vislumbrar tempos posteriores (dias, semanas, meses, anos, décadas). Talvez por isso as minhas relações com as Ciências foram se estreitando cada vez mais.

A minha profissão me mostrou - e me mostra todos os dias - que as Ciências devem ser encaradas no seu sentido mais amplo. Não é porque faço Matemática que não posso gostar de poesia ou de ler um romance ou de participar de uma discussão política (saudável) ou de preservar o meio ambiente. Ao longo dos anos tenho visto que as Humanas, as Exatas e as Biológicas é o que chamamos de Ciência, no seu sentido mais amplo. Sim, é preciso ser mais humano em meio à exatidão dos números, é preciso ser altamente preciso nas tomadas de decisões (e uso a precisão, uma vez que tomadas de decisões implicam em riscos, então não estamos lidando com exatidão).

Tenho me assustando muito com as confusões dos conceitos, ao longo desse período pandêmico. No início estava acompanhando grupos de discussão, lia os artigos mais recentes nas melhores fontes de publicações científicas a respeito do assunto, acompanhava coletivas dos Governos e telejornais. Sim, é um mundo de informações... mas, de um tempo para cá, acabei deixando tudo isso de lado. Algumas continhas que fiz, no início, bateram... talvez ainda estejam batendo, pois há muita informação omitida (o que me dá medo e nervoso), mas essa é a nossa realidade. Acabei me sentindo sobrecarregada de informações e isso começou a gerar mais angústia, tristeza, apreensão... preferi trocar por música e outros estudos.

Algumas vezes me vi chateada e, na maioria das vezes, muito reflexiva a respeito de tudo que está acontecendo. Durante 21 anos de profissão, já ministrei e fiz cursos EaD. Talvez porque já conhecia a modalidade, sabia lidar melhor com a distância e usava o conhecimento como meio e fim. Hoje, ministrando aulas online para os meus alunos, sinto uma estranheza porque sei que estão todos ali, conectados comigo, mas falta ver suas feições, se estão entendendo o que estou falando, se estão acompanhando a aula... faltam as piadinhas, as interações, o "Bom Dia!" coletivo em resposta ao meu "Bom Dia!"... sem falar no contato com a equipe de trabalho e as conversas regadas a muito café... Sinto uma saudade danada da sala de aula presencial!

A reflexão se dá em forma de questionamento, considerando as mudanças que estão ocorrendo em mim: será que sairemos melhores depois que tudo isso passar? Ou sairemos piores? Um grande professor de História, do colegial, dizia que "não existem culturas superiores ou inferiores, existem culturas diferentes"... seguindo essa linha, então a pergunta certa é: será que sairemos diferentes depois que tudo isso passar? Quão diferentes estaremos? O que essas diferenças impactarão na retomada da nossa velha rotina (que também deve sofrer alterações).

Foto publicada na FSP em 30 de Março de 2020, retrata o 
casal de enfermeiros norte-americano Mindy Brock e Ben Cayer.
(Nicole Hubbard, da Associated Press)

A impossibilidade do toque, do beijo, do abraço, das relações humanas com sua humanidade (tratando seres humanos como humanos e não como máquinas) têm sido difíceis  aceitar e não voltarão de uma hora para a outra. Não vejo a hora de poder beijar a abraçar as pessoas que eu amo, de estarmos juntos, de conversarmos e discutirmos as coisas olhos nos olhos, de rir, de chorar (e que seja de alegria, mas se for de tristeza, que tenha o ombro amigo ou o colo para poder acolher, permitir desabar e dar aquela ajuda para reerguer). E, claro, não podemos nos esquecer dos profissionais da área da Saúde que têm se dedicado de maneira ímpar para dar conta do recado - desde o tratamento inicial até o momento da alta ou da dura necessidade de informar, por vídeo, a partida de um ente a sua respectiva família; além dos profissionais dos serviços essenciais que, diante das tomadas de decisões dos nossos governantes, têm se arriscado para garantir que não nos falte o essencial.

Os desafios têm sido inúmeros... as incertezas e a falta de perspectivas, por vezes, batem à porta e querem entrar de qualquer maneira trazendo o fracasso e a falência como companhias. O comércio, a indústria, os negócios vão seguindo sem muito rumo e, por vezes, com um rumo bem certo. Há dias em que tudo se apresenta de forma desesperadora, devastadora, uma derrocada sem possibilidade de volta. Em momentos assim, olhar para o passado ajuda a respirar fundo e reerguer a cabeça para olhar o presente e ir além, vislumbrando o futuro. Tem sido um dos exercício mais difíceis de fazer nesse momento em que vivemos, repleto de "nãos" ("não vai dar", "não vou conseguir", "não temos dinheiro", "não temos interesse", "não temos condições", "não temos como nos manter", "não tem jeito", "não quero saber"... "não"... "não"... "não") e de apatia.

Isso tudo sem contar com a dura realidade de uma grande porcentagem da população que sequer tem como planejar o seu dia, pois nem sabe se o fim do dia chegará ou se um novo dia amanhecerá. Com tantas bocas para alimentar, com mentes brilhantes sem condições de acessar o mundo, com talentos incríveis se desdobrando em inúmeros turnos para dar conta das contas e da própria sobrevivência.

Esse desabafo poderia ter tudo para criticar as mazelas políticas e todos os outros percalços que nos rodeiam, mas, apesar do meu imenso descontentamento  com tantas decisões tomadas sem muitos critérios e de todo dinheiro público (meu e seu) indo parar em cofres que não são os públicos, enriquecendo as custas de contratos sem licitações, etc... (isso me renderia algumas tantas laudas e me incomodam demais), resolvi HOJE, pelos menos HOJE, levantar a bola da humanidade.

Quando me questionei sobre o quão diferente sairemos de tudo isso, o que realmente espero é que saiamos mais humanos. Sim, as planilhas são de suma importância (nossa sobrevivência depende delas... mais do que isso, depende do que elas retratam - uma maneira de materializar ações e cifras), mas não podemos nos esquecer que somos seres humanos passíveis de erros e, também, munidos de uma capacidade quase infinita de adaptação ao meio, às situações diversas e adversas. É preciso empatia (é necessário que nos coloquemos no lugar do outro antes de falar ou fazer qualquer coisa - eu sei como o ser humano Nelson Teich, então Ministro da Saúde, se sentiu na coletiva do "Gabinete de Crise" no dia 11 de Maio de 2020: péssimo, reles, insignificante, um zero à esquerda, um bosta... eu sei!) e resiliência (entender o que está ao nosso alcance e fazê-lo com maestria, aceitar o que não é possível fazer ou que está fora do nosso alcance de fazer, olhar para os erros e fracassos e, dali, tirar forças para seguir adiante, buscando o melhor caminho, aprendendo e evoluindo, sempre!).

Sei que acabou virando um textão... mas quero finalizar com um registro fotográfico que fiz na fria tarde de ontem. sexta-feira, 15/05/20... 15 + 05 = 20 ;-), que dispensa legendas e tem como objetivo trazer esperança, um pouquinho de paz, inspiração e aquecer nossos corações.

Um casal empoleirado, lado a lado,
fazendo companhia um ao outro, numa 
fria tarde de sexta-feira. 









terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A Vida Tem Dessas Coisas

Os dias poderiam começar e terminar
Seguindo a rotina do dia-a-dia,
Mas certamente não teriam a mesma graça
Quando somos surpreendidos por gratas surpresas...
Um sorriso tímido, uma conversa despretensiosa,
Um olhar acolhedor, amizades inusitadas...
Pequenas atitudes, feitas de coração,
Que tornam as nossas vidas únicas
E fazem cada segundo valer a pena.
Num longo abraço nos recebemos e nos despedimos,
Com a certeza de que haverá amanhã -
Porém certos sobre a incerteza de que de fato haverá.
É... a vida tem dessas coisas...
E são exatamente nos detalhes que fazemos a diferença,
Que somos diferentes, somos pares ímpares.
Vivemos correndo, apressados, compromissados,
Num equilíbrio instável, sem darmos conta
De que viver é bem mais (ou muito menos) do que isso...
Assim aprendemos a dar valor a cada momento,
Ao amor, à palavra e tudo que nos permite viver.
Compreender, sentir, ser, estar, experimentar, descobrir...
Seguimos gratos pelas oportunidades de crescermos,
Evoluirmos e nos tornarmos melhores, nesse breve intervalo.
Sim, a vida tem dessas coisas!


terça-feira, 19 de março de 2019

O Silêncio

O silêncio observa os meus pensamentos,
Caminha junto com meus contentamentos.
No silêncio tento entender a minha mente
E analisar tudo que acontece, calmamente.
Tantas vezes meu semblante se descontrola
E mostra ao mundo tudo aquilo que me amola,
Mas o silêncio conhece bem o meu coração
E, em menos de um segundo, faz ressuscitar a razão.
Nesse silêncio ímpar, solitário, invulnerável,
Apenas seu som produz harmonia formidável,
Que consola meu corpo, me traz inspiração,
Faz aflorar toda e qualquer emoção...
Tudo aquilo que encarcera minh'alma
E põe à prova toda a minha calma.
O silêncio chega de mansinho, sempre casto,
E me coloca diante de um mundo vasto...
Vasto mundo de ideias, sentimentos, encantos
E tudo que se deixa levar por suaves prantos...
É na companhia do silêncio que chego ao final de mais um dia...
É com a sua companhia que durmo e aguardo pelo novo dia. 


"Certas Coisas" - Lulu Santos 

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Hoje faz dois anos que Ferreira Gullar partiu... Tive duas oportunidades de vê-lo falar e declamar suas poesias, além de um livro autografado e o incentivo em ser poeta. Felizmente fica o seu legado em cada verso de cada poesia.

Compartilho dois (na verdade três) de seus poemas que mais gosto...


Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim ´
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?



Dois e dois: quatro

Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade, pequena.

Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena

como azul é o oceano
e a lagoa, serena.

como um tempo de alegria
por trás do terror me acena

e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
que a vida vale a pena

mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.



Sugiro a leitura de "Toda poesia: (1950 - 1980)", 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.

Ah! E para quem não sabe, a letra da música "Borbulhas de Amor", interpretada por Raimundo Fagner, é de Ferreira Gullar.

 


quinta-feira, 31 de maio de 2018

Sob a Luz do Luar

Sob a luz do luar,
Me ponho a sonhar...
Esses meus versinhos são primários
E meus sonhos são vários...
São tantos que se perdem na noite e na escuridão...
Mas a Lua ilumina meus pensamentos e meu coração,
Me faz crer num amor de verdade,
Na vida vivida plenamente, sem idade,
Atemporal... sem tempo para começar,
Mas com a certeza de que um dia tudo vai terminar.
Sob a luz do luar
Quero apenas viver, sonhar, amar...
Pois o que tiver se ser, será!...
Basta apenas, e tão somente, acreditar.
É sob a luz do luar que nos entregamos sem medo e com desejo,
Nos confiamos, nos perdemos e nos encontramos num forte abraço e num doce beijo.
Sob a luz do luar fazemos planos pessoais, voos solitários, juras de amor...
Promessas impossíveis, encontramos alento em momentos de dor...
Sob a luz do luar vejo meu futuro sendo iluminado
Com a certeza de que cada um dos meus sonhos será realizado.


Lua Cheia - São Paulo, 29/05/18


Leva-me Pra Lua (versão de "Fly Me To The Moon", de Frank Sinatra), Ana Caram

Detalhes técnicos da fotografia
Tamanho: 1,84MB
Resolução: 4608x3456
Orientação: 0°
Câmera: Canon PowerShot SX520 HS
Distância Focal: 180,60mm
Abertura: F6,0
Tempo de Exposição: 1/200s
ISO: 100
Balanço de Branco: Automático
Flash: Sem Flash
Data: 29/05/2018
Horário: 22h 55
Tirada por mim :-)






segunda-feira, 28 de maio de 2018

Pôr-do-Sol

O Pôr-do-Sol pinta a pele
De vermelho com amarelo
O laranja torna-se dourado
E faz o novo sobrepor-se ao belo

O céu azul com borrões verdes
Anuncia o fim de mais um dia
Mais um momento da vida
Sentido e vivido se eterniza

A noite serenamente se aproxima
Não teremos a quem clamar
Senão à Lua Cheia  para nos iluminar

Em outros cantos do mundo
O Sol compartilhará a sua luz
O intenso brilho que nos conduz

Pôr-do-Sol em Antuérpia, Bélgica - 12/07/17


Compuphonic - Sunset



domingo, 22 de abril de 2018

Moinhos

Seguimos diferentes caminhos,
Topamos com alguns moinhos...
Mas, em algum momento,
Nossos caminhos se cruzam, guiados pelos vento.
Ouvimos o silêncio de nossos passos
E, a cada caminhada, estreitamos nossos laços...
Nos descobrimos e redescobrimos todos os dias,
Sejam eles repletos de tristezas, de alegrias,
Ou ainda tudojuntoemisturado...
Confundindo o profano com o sagrado,
Sem que saibamos distinguir o que real do que é imaginário...
No final reconhecemos o quão extraordinário
É estarmos aqui, vivendo a vida,
Sem temermos pela hora da partida,
Mas cientes de todos os amores e boas ações
Que preenchem, aquecem, confortam e fortalecem nossos corações.

Bruges - Julho de 2017



domingo, 11 de março de 2018

Alguns versos...




Não sei se é cedo ou tarde...
A esta altura do dia, pouco importa...
Quero me perder e me encontrar nos versos desta poesia,
Que não tem rima, que não tem métrica...
Que tem, por objetivo, expressar pensamentos, sentimentos...
O corpo, hoje, está um pouco debilitado...
Abatido pelo cansaço de uma jornada intensa de trabalho
E por uma gripe fora dos compromissos agendados,
Mas a mente não descansa, vai e vem, no tempo e no espaço,
Com perguntas, projetos, realizações, problemas, soluções,
Sonhos, conquistas, planejamentos, divagações...
Uma sucessão de fatos inusitados vão ganhando uma forma lógica
E fazendo todo o sentindo do mundo,
Compondo os versos da poesia maior que é viver.
Pessoas, lugares, encontros, desencontros, descobertas,
Bebidas, comidas, ares, toques, olhares, amores, abraços e todos os tipos de experiências...
Tudo vai ganhando espaço, ocupando seu devido lugar e fazendo esta nossa jornada valer a pena.
Múltiplas percepções, novas possibilidades e a certeza de seguir em frente, sempre,
Com esforço, empenho, dedicação, resiliência, persistência e muita paixão.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Tempo de Vida x Qualidade de Vida

Hoje o meu dia começou cedo, às 5h 30. Assim que o celular despertou, levantei, tomei um banho e saí para trabalhar. Foram cinco aulas de Matemática, para oitavos anos. Logo que a minha última aula terminou, atravessei a cidade para continuar com o meu trabalho... Peguei um barril de chope para levar de uma ponta a outra de São Paulo. E, mais uma vez, atravesso a cidade para uma reunião da Cervejaria.
Passei um tempo razoável em trânsito e no trânsito, sozinha... na verdade, com meus pensamentos e sentimentos. Ao mesmo tempo que pensava na agenda, nas coisas que estava fazendo e precisava fazer, foi inevitável não voltar no tempo: há dois anos perdia o meu pai.
Muitas vezes, quando estou no trânsito, me lembro dele, me lembro das nossas conversa ao longo das longas idas e vindas para o InCor.
Conversávamos sobre muitas coisas, mas tinha um assunto que era recorrente: tempo de vida x qualidade de vida. Desde que meu pai infartou pela primeira vez, em 1990, sua vida não foi mais a mesma. Sua saúde, com o tempo, foi ficando frágil. Ainda que ele se mantivesse durão, essa debilidade era nítida. Foram vários procedimentos ao longo de seus últimos 26 anos, incluindo cirurgia e um "reboot"...
Em uma das consultas, o parecer derradeiro: "Infelizmente não há mais nada que podemos fazer". É bem complicado ouvir essa constatação e lidar com ela... mas foi assim que meu pai encarou os últimos anos, com a sentença muito bem definida e anunciada.
Nas nossas conversas, a indagação sobre tomar tantos remédios por dia (vinte e poucos comprimidos) e não conseguir fazer coisas cotidianas e simples. A Medicina o mantinha vivo, mas sem qualidade de vida... e, ainda que o parecer dos médicos, em algum momento,  tenha sido muito claro, não estávamos preparados para tal. (Aliás, o que tenho constatado é que nunca estamos preparados para as perdas, ainda que saibamos que um dia elas ocorrerão .)
Sabendo que meu pai tinha apenas 25% de seu coração funcionando e muitas complicações e limitações se apresentando, dia após dia, por conta disso, sempre ficava pensando no que poderia fazer para minimizar tudo isso... uma casa sem escadas, o máximo de conforto, pequenos prazeres cotidianos... muitas vezes me colocava no lugar dele na tentativa de entender um pouco mais de sua realidade... e esse era, para mim, um dos exercícios mais duros...
Apesar de lamentar sua partida, de certa forma prematura, consigo perceber que se ele tivesse sobrevivido a mais um infarto, não sei em quais condições estaria. Certamente preso numa cama... talvez em estado vegetativo... sei lá... não dá pra saber... mas qualquer uma dessas opções o deixaria absolutamente chateado, principalmente porque ele era um cara ativo. Quando penso em tudo isso, concluo que sua partida ocorreu no tempo certo, sem que houvesse mais sofrimento. Há quem me julgue por pensar assim, mas a vida e o tempo têm me mostrado isso, tem me permitido respeitar as limitações do corpo, da mente e do próprio tempo.
Recentemente conheci um trabanho muito interessante e que, para mim, faz total sentido: tratamento paliativo.
Vi um pouco desse tratamento ser aplicado ao meu avô que, em seus noventa anos de idade, sofreu com o peso do tempo... e sei que todos se esforçaram muito para dar-lhe um tratamento digno, respeitando seu tempo.
Hoje foi um dia de reflexões sobre essas questões... às vezes queremos que um ente querido, que um amigo, permaneça aqui conosco, não importa em quais condições... e isso, a meu ver, é muito egoísmo de nossa parte. Precisamos aceitar nossa finitude e fazer com o fim da jornada seja digno, respeitoso, sem dor.
O trabalho da Dra. Ana Claudia Quintana Arantes, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP - ao qual me referi anteriormente, trata disso: de como respeitar o fim, quando esse é o único meio disponível pela Medicina.
Vale a pena saber um pouco mais sobre o assunto. Creio que sua fala traz um pouco mais de esclarecimento ao assunto... afinal, "a morte é um dia que vale a pena viver ".


TEDxFMUSP - Dra. Ana Claudia Quintana Arantes 

Gostaria que meu pai estivesse aqui hoje... ele estaria pirando, junto comigo, na reviravolta que a minha vida deu e está dando. Me contento com as boas lembranças e com seu desejo de que a Medicina evolua não apenas para deixar seus pacientes vivos, seja lá por quanto tempo for, mas que tenham qualidade de vida. Que esses segundos a mais valham a pena e possam ser,  de fato, vividos. Caso contrário, será difícil entender o quanto essa sobrevida vale a pena (e esse é, sem dúvida, um dos meus questionamentos que me perturbam).
Pra finalizar, devo admitir que não há um dia em que não sinto saudades do meu pai. Sempre que saio pra trabalhar, me lembro dele... a minha última memória dele é vê-lo, pelo retrovisor, fechando o portão. No início foi dificílimo chegar em casa e não tê-lo mais me esperando. As boas lembranças são aquelas que ficam e aquecem o coração. É difícil não contar com sua presença física, com  seu beijo e seu abraço... mas também não seria fácil tê-lo aqui, fisicamente, sem qualquer condição de dar um beijo, um abraço ou papear um pouco.
O meu amor por ele será eterno, assim como a minha gratidão e as boas lembranças, incluindo a longa conversa que tivemos - nossa última longa conversa após assistir "Interstellar", uma semana antes de sua partida  numa tarde de domingo... conversamos sobre Física, sobre Teoria da Relatividade e, novamente, sobre as questões relacionadas ao tempo... o tempo de vida/sobrevida e a qualidade de vida.

Cena do filme "Interstellar " (2015).

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Existe uma certeza, na vida, e ela é única...

... do início ao fim... assim é a morte.

Por mais que nos indignemos, nos inconformemos, nos recusemos a aceitar, uma vez estando vivos, o certo é que um dia, não sabemos quando e nem como, morreremos... todos nós, sem exceção.

Algumas vezes o quando e o como acabam dando as caras, num anúncio, que parece ser desesperador, de que a morte está próxima... não há o dia exato, mas há o período... não há a causa exata, mas há os problemas evidentes que farão ela chegar... 

Fiquei pensando nisso quando me deparei com a notícia da morte de John Nash e sua esposa, Alicia. Essa foi uma daquelas notícias inesperadas. Mesmo sabendo de seus 86 anos, Nash ainda estava na ativa.



Ocorrências como essas proporcionam uma reflexão sobre os valores das coisas, sobre o que realmente devemos considerar importante, relevante, imprescindível. Às vezes, por alguma razão, brigamos, destratamos o próximo, respondemos muito mal a uma simples pergunta... claro, não são raras as vezes que nos cansamos de uma série de coisas, de algumas mesmices, de algumas manias, mas devemos ponderar tudo isso. O simples fato de sair sem falar tchau pode implicar na última oportunidade de dizer que, na verdade, ao invés de ódio o que sempre houve foi muito amor... mas, às vezes, isso pode passar de forma despercebida e sem chance de voltar atrás.

Fiquei pensando nessas coisas... fiquei pensando na nossa atual realidade composta por guerras, ataques das mais variadas ordens, fanatismos que caminham na direção contrária da paz pregada pelas tais leituras sagradas, dentre tantas outras coisas.

Parece que o melhor a fazer é nos vigiarmos diuturnamente, com o objetivo de errarmos menos, de amarmos mais, de percebermos o valor das coisas em atitudes que nem precisam ser muito rebuscadas... pequenos atos que, juntos, implicam numa enormidade ao final da nossa vida, deixando a nossa consciência tranquila, livre do peso da indiferença, do tormento do arrependimento.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Os Versos que Escrevo...

Escrevo apenas para que saiba que a hora é esta e eu partirei...
Partirei sem dizer adeus... partirei sem olhar para trás...
Vou seguir por muitos caminhos pelos quais nunca trilhei,
Senão em meus sonhos, na minha imaginação, de forma tímida e muito audaz...

Escrevo esses versos para que saiba o quanto o tempo passou...
O quanto amei você... que me entreguei completamente a você... e que tudo isso foi em vão,
Haja vista o desfecho da nossa história, que sequer existiu, que sequer durou,
Que sequer foi vivida... mas que fica perpetuada, em segredo, no nosso coração.

Esses versos que escrevo são para dizer que seguirei em frente,
Com algumas cicatrizes em meu coração, mas... é hora de dizer adeus
E seguir adiante, ainda que por passos tortos e respiração ofegante...

Lágrima por um fio e escrevo mais uns versos para dizer que o tempo foi cruel com a gente
Por não nos permitir um encontro mais adequado, por nos ferir tanto assim...
Não, não tem jeito... é hora de partir, levantar voo... em meio a uma saudade intermitente.




"Uns Versos" - Maria Bethânia



sexta-feira, 31 de março de 2017

Triângulo de Penrose

Há momentos em que nos sentimos (e de fato estamos) tão próximos
E, ao mesmo tempo, (devemos estar) tão distantes.
Milímetros tornam-se longínquas milhas
E não sabemos exatamente como lidar com isso.

A união só é possível em nosso imaginário...
Pois nunca será possível no mundo que vivemos...
Num dado momento é assim que nos vemos neste mundo,
Na vida que levamos com as pessoas que nos acompanham...
Às vezes as perdas nos causam esse tipo de sentimento,
Uma vontade imensa de que ao menos pudéssemos trocar um longo, forte, demorado e apertado abraço.




http://38.media.tumblr.com/0d876a230856e0d230f4b9418898105c/tumblr_nub967P8QX1qd479ro1_1280.gif

quarta-feira, 15 de março de 2017

Das Coisas da Vida

A saudade é aquela palavra que traduz um mundo de pensamentos...
Faz a gente refletir, na tentativa de compreender todos os sentimentos...
Mas parece ser vã a tentativa de entender as coisas do coração,
A tentativa de racionalizar tudo aquilo que extrapola a razão.

O tempo passa de maneiras diferentes quando lidamos com a ausência...
Ora passa rápido demais, ora demora uma eternidade, exigindo-nos paciência...
O fato é que o tempo implacavelmente passa, independente da nossa vontade,
Restando-nos administrá-lo, dando significado para tudo que vale a pena, de verdade.

As lembranças sempre estarão na nossa mente, no nosso coração, a cada fechar dos olhos,
Em cada gesto, cada ato, cada palavra, em todos os instantes que foram só nossos...
E não há quem nos tire isso... não há quem remova essa tatuagem feita na alma.

É nos versos da vida que deixamos nos guiar pelas emoções,
Tornando todos os momentos, únicos, em doces e eternas recordações,
Ainda que a distância seja ínfima e a ausência infinitamente grande.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A Saudade

A saudade é mais do que uma palavra, pois é capaz de expressar,
De maneira precisa, um turbilhão de pensamentos e sentimentos
Que nos consomem quando vemos aqueles que amamos nos deixar.
Ficam as lembranças de cada instante vivido, de todos os momentos.

Hoje olhamos para o lado e sentimos um imenso vazio...
Está faltando o sorriso, o olhar, a palavra, a música, a presença...
A perda é sentida profundamente no nosso cotidiano convívio...
É uma ausência impossível de ser suprida, de passar sem indiferença...

A nossa vida é breve, é sublime, é frágil, é intensa,..., e é passageira.
O nosso esforço, nesse breve intervalo de tempo, consiste em deixarmos o nosso legado,
Considerando que essa é aquela oportunidade derradeira.

As perdas doem, em quaisquer que seja as circunstâncias...
Mas temos que ser resilientes, cada um no seu tempo,
Encontrando, em cada instante da vida, reais sentidos e legítimas importâncias.




Main Theme of Final Fantasy VII 
executada por Gabriel Andery. 
Uma doce lembrança para os ouvidos e o coração. 
Saudades... :')



A Saudade

A saudade é mais do que uma palavra, pois é capaz de expressar,
De maneira precisa, um turbilhão de pensamentos e sentimentos
Que nos consomem quando vemos aqueles que amamos nos deixar.
Ficam as lembranças de cada instante vivido, de todos os momentos.

Hoje olhamos para o lado e sentimos um imenso vazio...
Está faltando o sorriso, o olhar, a palavra, a música, a presença...
A perda é sentida profundamente no nosso cotidiano convívio...
É uma ausência impossível de ser suprida, de passar sem indiferença...

A nossa vida é breve, é sublime, é frágil, é intensa,..., e é passageira.
O nosso esforço, nesse breve intervalo de tempo, consiste em deixarmos o nosso legado,
Considerando que essa é aquela oportunidade derradeira.

As perdas doem, em quaisquer que seja as circunstâncias...
Mas temos que ser resilientes, cada um no seu tempo,
Encontrando, em cada instante da vida, reais sentidos e legítimas importâncias.



Main Theme of Final Fantasy VII 
executada por Gabriel Andery. 
Uma doce lembrança para os ouvidos e o coração. 
Saudades... :')



A Saudade

A saudade é mais do que uma palavra, pois é capaz de expressar, 
De maneira precisa, um turbilhão de pensamentos e sentimentos
Que nos consomem quando vemos aqueles que amamos nos deixar.
Ficam as lembranças de cada instante vivido, de todos os momentos.

Hoje olhamos para o lado e sentimos um imenso vazio...
Está faltando o sorriso, o olhar, a palavra, a música, a presença...
A perda é sentida profundamente no nosso cotidiano convívio...
É uma ausência impossível de ser suprida, de passar sem indiferença...

A nossa vida é breve, é sublime, é frágil, é intensa,..., e é passageira.
O nosso esforço, nesse breve intervalo de tempo, consiste em deixarmos o nosso legado,
Considerando que essa é aquela oportunidade única e derradeira.

As perdas doem, em quaisquer que sejam as circunstâncias...
Mas temos que ser resilientes, cada um no seu tempo,
Encontrando, em cada instante de vida, reais sentidos e legítimas importâncias...







A Felicidade
Tom Jobim


Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
Tristeza não tem fim
Tristeza não tem fim
Tristeza não tem fim
Tristeza não tem fim
Tristeza não tem fim
Tristeza não tem fim

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

PARADOXO POÉTICO

É na poesia que por vezes me encontro
Quando me perco na vida cotidiana
Por vezes entre um desencontro e outro
Na cadência dessa comédia divina e soberana


Me encontro e me perco em cada verso
Nas entrelinhas de cada estrofe
E tudo que penso parece ser exatamente contrário e inverso
Mas tento não cair nesse pensamento limítrofe

Me perco em meio às páginas desse livro extenso
Que tem início bem determinado e fim certo
E deixa seu perfume sem deixar rastros tal como um incenso

Me perco e me encontro em versos estrofes e poemas
Em rimas perfeitas e em versos livres
Livres de regras e por vezes rígidos e exatos como os teoremas


Dani - 31/10/16

sábado, 29 de outubro de 2016

...E Assim Fazemos Nossas Escolhas Errantes...

Os dias podem ser ensolarados ou chuvosos...
A Natureza é, por (muitas) vezes, imprevisível
E instiga-nos a sermos cautelosos ou audaciosos...
Tudo depende do que parece (ou é) imprescindível.



"Preciso me encontrar" - Cartola


Preciso Me Encontrar
Cartola


Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Poesia

O poeta vê poesia
Até na noite vazia
Ou onde havia
Uma única estrela que luzia...
Talvez na manhã fria,
Onde nada mais havia
Senão o prelúdio de um novo dia...
Pequenos versos de um contínua poesia
Que se compõe, com maestria,
Na mais plena e particular idiossincrasia...
Brindando à vida em demasia.



terça-feira, 14 de junho de 2016

Um Fernando e Muitas Pessoas

São tantos os sentimentos e pensamentos...
E tantas são as percepções do Mundo, do Universo...
Parece que as palavras viram a vida do avesso
E a gente nem percebe... nem se dá conta
Das tantas coisas que acontecem ao nosso redor,
Das tantas pessoas que passam por nós,
Dos tantos Fernandos, Albertos, Ricardos, Álvaros...
Das tantas linhas e entrelinhas
Que preenchem o curto intervalo de tempo
Entre a amanhecer e o entardecer... o nascer e o morrer...
Ah! São muitas as rimas que passam despercebidas
E, sutilmente, dão cadência aos nossos passos tortos,
Desengonçados, desencontrados no tempo e no espaço.
Por vezes a ausência de rimas não torna os versos da vida
Menos importantes ou bonitos ou harmônicos...
São muitas as lamentações acerca da nossa realidade,
De uma humanidade que por ora se arrasta
No conflito dos valores, em perfeita confusão...
Sem saber o que é certo e o que é errado,
Sem se permitir respeitar, ainda que discordando...
São muitas as contemplações... ainda que neguemos...
O céu azul, as nuvens animando o céu e dando asas à imaginação,
As flores, a natureza, as árvores, os pássaros e seus diversos cantares...
As gotas de chuva que banham a natureza,
Regam a alma e mostram o quão é liberdade é boa e necessária.
São muitas as lágrimas... de tristeza, de alegria, de amor, de saudade...
E os nossos mares são docemente salgados...
São tantos os momentos de epifania e outros de completa esquizofrenia...
Os opostos vão se completando na nossa busca por realizações,
Por momentos de paz, de alegria, de completude, de felicidade...
E assim a nossa história vai sendo escrita sobre pedras, sobre a areia,
Sobre papeis de diferentes origens, nas passadas discretas dos ponteiros...

Dani - 14/06/16 (128 anos completos de Fernando Pessoa)


PS: Com o poeta e seus heterônimos temos a possibilidade de enxergar o mundo de uma outra maneira, sob diferentes olhares...

Com o próprio Fernando Pessoa, declamado por Paulo Autran, a real noção da passagem do tempo.
 
 "Quando era jovem, eu a mim dizia:
Como passam os dias, dia a dia,
E nada conseguido ou intentado!
Mais velho, digo, com igual enfado:
Como, dia após dia, os dias vão,
Sem nada feito e nada na intenção!
Assim, naturalmente, envelhecido,
Direi, e com igual voz e sentido:
Um dia virá o dia em que já não
Direi mais nada.
Quem nada foi nem é não dirá nada."


Com Ricardo Reis, a necessidade de nos dedicarmos àquilo que realmente é importante, ciente de que essa entrega será reconhecida de alguma forma (preferencialmente tendo êxito pela incessante busca, ainda que esse seja um breve momento de contemplação...).


Com Alberto Caeiro, a maneira de sentir o mundo, permitirmo-nos sentir todas as coisas ao nosso redor, dando uma folguinha à razão e contemplando a natureza.


Com Álvaro de Campos, a enxergar a realidade e confrontar-se com ela. Estaríamos bem se vivêssemos em um eterno sonho, em um conto de fadas? A realidade está aí para provarmos que a lucidez, por vezes contestada, é necessária para que possamos sonhar.