Não parece ser o que pensei,
Exceto por tudo aquilo que não sei...
A dúvida apenas elucida a incerteza
E faz meu coração transbordar tristeza.
Em meio aos percalços desta vida,
Sobra tempo apenas para a despedida...
Pois todas as outras expectativas são vãs
E não passam de ilusões de mentes nada sãs...
Quisera que as coisas fossem menos difíceis...
Sem que houvesse dor ou sofrimento ou melancolia...
Que ainda perdurasse o desafio com um pouco mais de afeto, compreensão, alegria...
Sim, é inútil lamentar... pois o tempo não volta...
E a vida segue, segundo as leis caóticas deste estupefato coração
Que não se contenta em seguir apenas e tão somente pelas trilhas da razão.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Feliz Dia do Amigo!
A motivação para a existência do Dia do Amigo é muito boa: dá-se pela
chegada do homem à Lua... "um feito que demonstra que se o homem se unir com seus semelhantes, não há objetivos impossíveis" (Enrique Ernesto Febbraro).
Na verdade, não há necessidade de um dia especial para comemorar a amizade e saudar os amigos porque os amigos não são muitos, diferente dos colegas e das pessoas do convívio... são aquelas poucas pessoas que estão do nosso lado nos momentos difíceis e nas conquistas... são os primeiros da lista quando precisamos de um ombro ou quando queremos dar aquela boa notícia. Os amigos são poucos porque dizem as verdades, sem qualquer moderação e, ainda que as palavras doam e fiquem ressoando infinitamente na nossa cabeça, não ficamos bravos e nem tristes simplesmente porque sabemos que são eles as únicas pessoas a dizerem as verdades... e o fazem pensando no nosso bem. Os amigos são poucos porque sempre torcem para que alcancemos nossos objetivos, realizemos nossos sonhos, nos encorajam a encarar esse mundão... Os amigos são poucos, muito poucos, porque se preocupam conosco, compartilham muitos momentos... incluindo aqueles de longo silêncio no qual muito se diz em meio a falta das palavras ou na confusão das ideias... às vezes esse silêncio é estarrecedor, mas os amigos estão ali para "ouví-lo". Os amigos são poucos porque são sinceros ao que sentem e pensam... Os amigos são poucos, muito poucos, porque há reciprocidade em todas as ações descritas anteriormente, porque a nossa relação com os amigos seguem no melhor estilo "se, e somente se"...
Eu agradeço muito aos amigos que tenho... e peço desculpas pela decepção e pelas mazelas que acabo cometendo, ao longo dessa caminhada. Nunca é legal pisar na bola com alguém, em particular pisar na bola com um amigo, com as pessoas que amamos... Tem coisas que acontecem, ao longo da vida, que são difíceis de explicar, de conceber, de encontrar certa lógica ou racionalidade mas, ainda sim, é necessário saber ponderar, entender, compreender, ser franco... A gratidão vem exatamente pelo fato dos amigos não desistirem da gente e por sempre nos incentivarem, por sempre quererem o nosso melhor, por acreditarem em nós e fazer com que acreditemos em nós mesmos... por nos amarmos!
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Sobre o Silêncio
É... há momentos em que o silêncio basta, às vezes é necessário, às vezes é suficiente, às vezes é necessário e suficiente, outras vezes é intermitente, outras tantas chega a ser estarrecedor... Há momentos em que o silêncio faz mal... Há momentos em que o silêncio faz bem... Há momentos em que o silêncio é delator... O silêncio arma, mas também desarma... É no silêncio que, por vezes, nos encontramos conosco... É no silêncio que os amigos também nos ouvem... É no silêncio que o amor se sufoca... e no silêncio nos entregamos às intimidades... não é preciso dizer uma única palavra... compartilhamos comentos únicos com aqueles que confiamos, pois permitimos que conheçam-nos de maneira profunda a ponto de se disporem a ouvir o silêncio que traduz o grito da alma a plenos pulmões... Às vezes o silêncio é bem-vindo, é providencial, só porque é aquela preciosa oportunidade de ficarmos calados... E assim segue a vida, suplicando por um pouco de silêncio... ou não.
Poema à Boca Fechada
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi:
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando eu me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
José Saramago
"Il Silenzio" interpretado por Melissa Venema, André Rieu e Orquestra.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
É sempre tempo de...
O último registro de Fernando Pessoa foi uma frase em inglês:"I know not what tomorrow will bring". Exatamente pela incerteza do amanhã é que devemos, sempre que possível, viver e contemplar o hoje (aqui e agora), sem esquecermo-nos do passado, mas sempre com projetos e sonhos, vivendo o presente e pensando, também, no dia de amanhã, no futuro... pensando em mudar... pensando em mudar... pensando em sermos melhores (mais adequado seja sermos menos piores)... considerando reais possibilidades de sermos felizes, com muito ou com pouco... pouco importa... pensando nas voltas que o mundo dá... pensando nas conquistas e nas lições aprendidas... vivendo a vida... curtindo cada momento... cada pessoa e nós mesmos.
Algumas vezes custamos a entender essas coisas... outras vezes nós simplesmente as ignoramos... O fato é que não podemos esperar o tempo passar e, ao final, concluirmos que não vivemos da maneira como deveríamos (bem, certamente algumas coisas ficarão para trás, pois nem sempre elas acontecem da maneira como queremos, mas sempre temos a chance de tentar).
Algumas vezes custamos a entender essas coisas... outras vezes nós simplesmente as ignoramos... O fato é que não podemos esperar o tempo passar e, ao final, concluirmos que não vivemos da maneira como deveríamos (bem, certamente algumas coisas ficarão para trás, pois nem sempre elas acontecem da maneira como queremos, mas sempre temos a chance de tentar).
terça-feira, 7 de abril de 2015
A Matemática da Vida ( I )
Algumas vezes fico pensando na vida, nas coisas que acontecem ao longo dessa nossa breve jornada em meio aos zilhões de anos que já passaram, passam e passarão...
Creio que os versos de William Blake ajudem a elucidar um pouco do que estou falando:
"To see a world in a grain of sand,
And a heaven in a wild lower,
Hold infinity in the palm of your hand,
And eternity in an hour."
Cada dia é um desafio... é sempre um motivo (ou uma desculpa) para fazermos descobertas e redescobertas nesse mundo que, por vezes, parece ser um grão de areia... um ínfimo grão de areia...
... E a vida, as coisas, o mundo, tudo pode ser mais belo do que parece... mais eterno do que de fato dure, assim como ser mais infinito em nossa plena finitude... Tudo depende da maneira como encaramos os fatos... tudo depende do referencial...
Constantemente são lançadas algumas discussões sobre o número de partículas que compõem o Universo... e seus desdobramentos... Isso tudo me faz lembrar, também, os versos de Blake que, de alguma maneira, traduzem a nossa pequenez frente ao Universo e o quanto tudo pode ser relativo. Podemos encontrar nas coisas pequenas e simples mais do que podemos imaginar... e, em meio aos grandes desvarios da vida, grandes surpresas... E isso, por consequência, me faz lembrar de muitos momentos que temos na vida que de certa forma retratam essa relatividade.
Mesmo diante das adversidades, o que não pode nos faltar é força para superá-las. Claro, esse é um dos desafios... nem sempre é fácil, mas fica menos difícil quando nos dispomos a encará-las e, principalmente, quando contamos com aqueles que nos encorajam... Nesse sentido, o tempo torna-se um grande aliado.
A vida, no final das contas, será uma enorme tabela de pontos pelos quais poderá ser observado um polinômio interpolador com algumas características bem interessantes, tais como máximos e mínimos e mudanças de comportamento, sem perder sua continuidade. E são exatamente esses máximos e mínimos, bem como as inflexões, que nos tornam fortes para continuar essa caminhada... ora estamos nas alturas dos máximos, ora nas agruras dos mínimos... e o que fato tem valor é aquilo que fica desse processo, as lições que aprendemos e os momentos que eternizamos na nossa mente e no nosso coração... a eternidade de uma hora, de um minuto, de um segundo... de uma meia-vida... de uma vida inteira. Legados que passam de geração em geração... valores, crenças, histórias, contos, fábulas, ficção, realidade...
Little Boots - "Mathematics"
PS: Se a vida fosse linear, certamente seria uma chatice... Se fosse senóide ou cossenóide, seria menos chato, entretanto os máximo e mínimos nem sempre têm a mesma amplitude e nem sempre ocorrem periodicamente... Agora, uma função polinomial de n-ésimo grau representa bem essas inconstâncias da vida...
terça-feira, 24 de março de 2015
Poema Fantasma
Sente a sua falta e espera a sua chegada, sem demora...
Não tenho tempo para chorar, devo apenas prosseguir,
Compreender a sua ausência e, de alguma forma, sorrir...
Enquanto escrevo estes versos, minhas mãos tremem,
Pois, ainda que eu relute, inexplicavelmente pressentem
Que não tocarão mais o seu corpo, não sentirão seus beijos...
Meu corpo inteiro deve acostumar-se a inibir nossos desejos.
Enquanto escrevo estes versos, perdidos no tempo e no espaço,
Apenas queria tê-lo comigo, num demorado e caloroso abraço...
Agora levarei na lembrança o seu gosto, o seu cheiro, o seu calor, o nosso amor...
Enquanto escrevo estes versos, vejo que o tempo passou, sem piedade,
Já faz tanto tempo... nem me dei conta do quanto privei-me da liberdade
De viver a vida... Viver com você... Viver sem você... Apenas viver...
terça-feira, 10 de março de 2015
Into the Wild - Na Natureza Selvagem
Já havia assistido "Into the Wild" ("Na Natureza Selvagem") pelo menos umas cinco vezes... inclusive pude assisti-lo no cinema, em sua estreia. Não sei quantas vezes ouvi as músicas que compõem a sua trilha sonora... e recentemente li o livro. (O filme é baseado no livro, de mesmo título, de Jon Krakauer, e trata da história de um jovem de 22 anos que resolveu viajar pelos Estados Unidos até a maior de suas viagens: o Alasca. Produzido em 2007, a direção é de Sean Penn e a trilha sonora é de Eddie Vedder (<3), Michel Brook e Kaki King.)
É impossível não pensar na história de Christopher "Alexander Supertramp" J. McCandless. Num primeiro momento dá vontade de largar tudo, colocar uma mochila nas costas e desbravar o mundo... é libertário... depois vem um sentimento de "meu, como esse rapaz foi ignorante, burro!"... e depois vem um sentimento de "putz! como sou bunda-mole!"...
É difícil julgar a escolha de Chris. Certamente ele cometeu alguns erros grosseiros que custaram a sua vida, mas, ao mesmo tempo, resolveu descobrir-se na forma mais primitiva e íntima, tentando libertar-se de qualquer estereótipo imposto pela sociedade.
Autorretrato Christopher J. McCandless, ou Alexander Supertramp,
em frente ao ônibus 142, onde viveu sua última viagem.
Cada um de nós tem o seu jeito de conhecer-se, de reconhecer-se, de descobrir-se... alguns recorrem à meditação, outros à religião, há aqueles que recorrem às drogas ou às terapias ou ao isolamento... Cada caminho escolhido está diretamente relacionado aos contentamentos e descontentamentos mundanos, às experiências de vida, aos bons e maus momentos... Penso que passamos a vida toda buscando respostas para perguntas tais como "de onde viemos?", "para onde vamos?", "por que estamos aqui?", "quem somos?", "como sermos feliz?", "como buscarmos a felicidade?", "podemos ser felizes para sempre?", "como reconhecermos o verdadeiro amor?"... Não creio que consigamos responder todas essas perguntas de forma categórica... elas têm um quê muito subjetivo... são absolutamente existenciais... Para alguns grupos, as respostas serão de senso comum, canônicas... para outros, totalmente divergentes... sem contar aqueles que passarão despercebidamente por esses questionamentos. (E cada um de nós tem as suas maneiras de fugir da realidade que, por vezes, é estarrecedora, sem recorrer a maior de todas as fugas... ainda que, às vezes, ela parece ser inevitável.)
Às vezes parece ser penoso olharmos para nós mesmos e admitirmos quem somos, com nossos defeitos e qualidades... Muitas vezes buscamos ser infalíveis, certeiros, mas esquecemos que somos seres humanos, passíveis a erros... é mais fácil apontar os erros dos outros do que corrigirmos nossos próprios erros... é muito cômodo criticar e enxergar as imperfeições alheias a nos autoavaliarmos, nos autocriticarmos... e não precisamos fazer isso como se estivéssemos pagando um castigo, cumprindo uma pena, mas devemos encarar como uma oportunidade de nos tornarmos seres humanos menos piores, de evoluirmos. Da mesma forma, devemos reconhecer nossos acertos e nossas qualidades, com humildade, e seguir adiante tornando-nos exemplos para nós mesmos.
Levar o mundo a ferro e fogo, como dizem por aí, não parece ser a melhor opção, uma vez que os extremos nem sempre são os melhores caminhos a serem seguidos o tempo todo para chegarmos ao nosso destino final. Às vezes é necessário seguirmos pelo caminho do meio, entre um extremo e outro, afim de nos compreendermos melhor, de compreendermos o mundo e aqueles que estão ao nosso redor. É claro que vez ou outra fazemos as escolhas erradas e ao darmos por isso bate aquela sensação de fracasso, pois sabemos que toda e qualquer escolha traz consequências e sabemos que teremos um ônus ou, quem sabe, um bônus. Seguir pelo caminho do meio não significa abrirmos mão de nossas crenças, dos nossos posicionamentos, mas ajuda a recalibrar a nossa escala de valores de acordo com as nossas convicções e lutarmos por elas sem que esse caminho seja fator impeditivo para termos alguns extremos a seguir.
Temos, em nosso interior, nossas razões para agirmos da maneira como agimos, sermos da maneira como somos, estarmos da maneira como estamos, e isso de forma alguma deve ignorar a existência daqueles que estão ao nosso redor... devemos saber conviver com as diferenças, com as adversidades, com a liberdade de escolha, com o livre arbítrio... e isso exige de nós certo grau de tolerância, de compreensão, independente de concordarmos ou não. Respeitar as posições alheias não significa sermos submissos a elas, mas, quem sabe, reforçar aquilo que acreditamos e rever alguns outros pontos (talvez aqueles mais obscuros).
Ao longo do tempo precisamos ser protagonistas da nossa própria história, ao invés de sermos coadjuvantes. Isso requer coragem para abrir mão de alguns dogmas, abdicar alguns bens e seguir adiante, sem deixarmos de compartilhar nossas alegrias e tristezas com aqueles que amamos e mostrar que faz parte da nossa natureza alçarmos voos na direção das nossas realizações pessoais, dos nossos sonhos... daí pode ser que sigamos (ou tenhamos que seguir) por caminhos extremos... por trilhas nada lineares, nada triviais... pela "natureza selvagem".
Link para a trilha sonora de "Into the Wild".
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