...E assim segue a vida, passando rapidamente...
Quase não temos tempo para expressar nossos sentimentos...
São inúmeros os compromissos... e o nosso desejo é latente,
E se perde em meio a tantas responsabilidades e pensamentos.
Quisera que o tempo parasse por um breve instante,
Com duração suficiente para colocarmos nossa vida em dia...
Quem dera nosso caminho fosse menos errante
E pudéssemos viver momentos únicos de plena epifania...
... Lá se vão as esperanças... lá se vai a felicidade...
E fica o gosto amargo da desilusão, da decepção, do não...
Um não categórico, ponderado pela insensibilidade...
No mundo das ideias, tudo parece fácil, factível, possível...
No mundo real, o número de variáveis beira o infinito...
No final, não adianta relutar... resta aceitar que é impossível...
2014 aproxima-se do fim... particularmente foi um ano de obstáculos com diferentes ordens de grandeza, de altos e baixos, de desafios, de atropelos, de sucessos e fracassos, de erros e acertos, de momentos difíceis (muito difíceis)... mas não posso deixar de enaltecer os bons momentos, aqueles breves e eternos momentos bons ao lado daqueles que amo, de algumas demonstrações de amor incondicional... de amizade... na verdade são esses momentos que recarregam as energias e permitem ver um novo horizonte, permitem ver as coisas sob uma nova perspectiva... e dão ânimo para "levantar a cabeça acima de densa neblina do dia a dia e buscar algo mais longe"...
Talvez o título deste post esteja errado... melhor seria intitulá-lo "... e lá vem o novo ano..."... assim parece ficar mais inspirador, mais encorajador, menos pessimista... mais apropriado para o momento. Ainda que pareça ser apenas uma troca de calendário, a virada do ano não deixa de ter o seu significado. Um novo ano pode ser encarado como pelo menos 365 novas oportunidades de fazer boas escolhas, de fazer o bem, de procurar meios para realizar projetos, de buscar respostas certas para as perguntas, de fazer as perguntas certas... de cultivar as amizades e os amores... de mudar...
O que posso desejar, para o próximo ano (e sempre)? Que o tempo seja generoso a ponto de vivermos a vida em sua plena forma, de nos descobrirmos e redescobrirmos em meio ao nosso cotidiano e suas atribulações, de permitir-nos consertar os erros... que continuemos escrevendo a nossa história e deixando o nosso legado.
Deixo aqui um poema que escrevi, há algum tempo, cujos versos são atemporais... e, para complementá-lo, uma outra composição, também, atemporal e que fala sobre o tempo: "Oração ao Tempo", de Caetano Veloso, interpretada por Rita Ribeiro.
Que não nos falte tempo nem inspiração em 2015! Um Feliz Ano Novo!
"Oração ao Tempo", de Caetano Veloso, interpretada por Rita Ribeiro.
Oração ao Tempo (Caetano Veloso)
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho Tempo, tempo, tempo, tempo Vou te fazer um pedido Tempo, tempo, tempo, tempo
Compositor de destinos Tambor de todos os ritmos Tempo, tempo, tempo, tempo Entro num acordo contigo Tempo, tempo, tempo, tempo
Por seres tão inventivo E pareceres contínuo Tempo, tempo, tempo, tempo És um dos deuses mais lindos Tempo, tempo, tempo, tempo
Que sejas ainda mais vivo No som do meu estribilho Tempo, tempo, tempo, tempo Ouve bem o que te digo Tempo, tempo, tempo, tempo
Peço-te o prazer legítimo E o movimento preciso Tempo, tempo, tempo, tempo Quando o tempo for propício Tempo, tempo, tempo, tempo
De modo que o meu espírito Ganhe um brilho definido Tempo, tempo, tempo, tempo E eu espalhe benefícios Tempo, tempo, tempo, tempo
O que usaremos pra isso Fica guardado em sigilo Tempo, tempo, tempo, tempo Apenas contigo e comigo Tempo, tempo, tempo, tempo
E quando eu tiver saído Para fora do teu círculo Tempo, tempo, tempo, tempo Não serei nem terás sido Tempo, tempo, tempo, tempo
Ainda assim acredito Ser possível reunirmo-nos Tempo, tempo, tempo, tempo Num outro nível de vínculo Tempo, tempo, tempo, tempo
Portanto, peço-te aquilo E te ofereço elogios Tempo, tempo, tempo, tempo Nas rimas do meu estilo Tempo, tempo, tempo, tempo
Com os olhos abertos,
Enxergo tudo aquilo que não quero.
Com a boca fechada,
Xingo e falo tudo aquilo que calo e não consinto.
Esvazio meus pulmões
Numa tentativa de desabafar,
Mas minha mente não se aquieta,
Não pára de pensar, e pensar, e pensar...
Meu coração bate descompassadamente,
Movido pelos meus sentimentos,
Em conflito com os meus pensamentos,
Seguindo os passos das minhas emoções e das minhas razões...
Com minhas mãos atadas e meus pés no chão,
Não consigo me sentir livre para chegar onde quero.
Assim, levanto vôo em direção os meus sonhos,
Sem perder de vista a realidade.
Epifania? Divagação? É a irracionalidade se dando conta da racionalidade
Acerca do mundo que se apresenta a minha frente...
Reflexões decorrentes de uma realidade humana
Que, de tão absurda, chega a ser desumana.
Não é necessário bússola para saber onde estou.
Não são necessárias
coordenadas para saber onde você deve chegar.
Não precisa de mapa porque
você conhece todos os caminhos e todos os seus detalhes.
Se por acaso
você se perder, te ajudo a se encontrar porque já estamos perdidos no
tempo e no espaço...
Aliás, nos encontramos e nos perdemos inúmeras vezes... e mesmo distantes geograficamente, algo nos torna próximos, muito próximos... e ainda que o tempo passe, o que nos rege é atemporal, uma vez que nos reconhecemos... uma vez que nossos corações se reconhecem e nos lembram de que a vida deve ser vivida...
Mapa- múndi
Thiago Pethit
Me escreva uma carta sem remetente
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte: "O que será do nosso amor?"
Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi
Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever e onde quer que me esqueças
E eu te pergunto: "O que será do nosso amor?"
Ah! se eu pudesse voltar atrás
Ah! se eu pudesse voltar
O que dizer do tempo? Tenho um pouco de pressa, mas preciso falar um pouco sobre o tempo... O tempo que passa, sem parar, e que está confinado nos movimentos de alguns ponteiros... tica-tac... ou em alguns grãos de areia de uma ampulheta... ou nas gotas de uma clepsidra... O tempo que se registra na face, nas mãos calejadas, nos fios de cabelo branco... O tempo que une o passado ao futuro, que acontece no presente (aliás, que é presente). O tempo efêmero... O tempo que parece não passar... O tempo passado no tempo... O tempo de mudanças, acontecimentos, interrupções...
Muitas vezes nós nos perdemos no tempo que temos, entre o tempo que passou e aquele que está por vir. Queremos que algumas coisas aconteçam, sem que estejam no seu tempo. Em contrapartida, outras coisas acontecem de maneira precoce, parecendo estar fora do seu tempo.
É muito difícil falar sobre o tempo, dado que muitas vezes abdicamos de nós mesmos utilizando, vez ou outra, a velha e, por vezes inexorável, falta de tempo...
Independente de como possamos definir o tempo, ele faz parte da nossa vida, ele nos rege, Há quem diga que "temos todo o tempo do mundo" (Renato Russo) ou, ainda, que "o tempo não pára" (Cazuza). Mesmo sabendo que o tempo é infinito, nós somos finitos. Temos o nosso tempo e, de certa forma, ele está contado, cronometrado... O que fazer?
Não há como negar que deixamos muitas coisas para fazer amanhã. Mas... e se não houver amanhã? Deixaremos de dizer "eu te amo!", "desculpe-me!", "muito obrigada!"... deixaremos de viver momentos únicos... Talvez seja tempo de pararmos para pensar no hoje... de sentir os prazeres do presente... Carpe diem, quem sabe?!?...
O que passou fica na lembrança, guardado na memória, arquivado em algum cantinho tenro do coração. O que está por vir começa a ser construído a partir do que fizemos e, principalmente, do que fazemos (os sonhos de hoje podem ser as realizações que estão por vir - num futuro próximo ou um pouco mais distante... ou nem sequer se realizem...).
Se algumas vezes deixamos de sonhar, perdendo noites de sono e sonhos, para ficar pensando em problemas, remoendo aquilo que poderia ter sido e não foi, precisamos rever o nosso tempo - ou porque ele nos falta ou porque não nos damos esse tempo... os problemas tomam dimensões que ultrapassam a real relatividade entre o espaço e o tempo).
É chegada a hora de termos mais tempo, de lutarmos por esse tempo que é tão necessário (ao nosso espírito, à mente e ao coração... um tempo vital!). É preciso pensar no mundo, nos outros, mas, também, em nós! Precisamos acreditar em nós mesmos, naquilo que fazemos de bom e de melhor, nas nossas capacidades, habilidades, competências e, claro, no nosso tempo, respeitando-o. Precisamos saber aceitar nossos limites, nossos erros... e repará-los enquanto há tempo, dentro das nossas possibilidades e daquilo que está ao nosso alcance.
Talvez, dessa forma, possamos definir, de verdade, o que é o tempo, o seu significado, a sua magnitude, o seu valor, a sua essência - pois é através do tempo que, do nascimento à morte, nos formamos; é ao longo do tempo que crescemos e aprendemos tantas coisas que esse mundo tem a nos ensinar.
Por mais que o tempo passe, é sempre bom lembrar que somos capazes de deixar marcas, seja a nossa História ou a nossa própria história. É muito bom saber que o tempo pode passar, passar, passar... mas tudo que construímos, assim como tudo aquilo que nos empenhamos em fazer e fazemos com muito amor, além das pessoas que conhecemos ao longo da vida que, de certa forma, nos marcam e emocionam a cada dia, a cada encontro, a cada reencontro... ficam.
Tudo que podemos pensar e contar sobre a vida e sobre nós mesmos só é possível com a existência do tempo.
Essa é apenas uma breve reflexão sobre o tempo e sua passagem, em suas diversas formas/maneiras de ser interpretado. O seu real significado fica a cargo de cada um que se propõe a refletir sobre a vida, o mundo e, consequentemente, dispõe de um tempo, mesmo que mínimo, para refletir sobre o Tempo.
https://www.youtube.com/watch?v=jHTcEj_Am2E
terça-feira, 20 de maio de 2014
Meus sentimentos rasgam o silêncio da madrugada,
Rompem barreiras, trincheiras, barricadas...
Contradizem a razão, enganam o coração...
Confundem o que é real com o que é ilusão...
Na escuridão da noite, meus pensamentos clareiam...
Brilham, reluzem, iluminam-se, relampeiam...
São sinapses que ocorrem a cada batida do coração...
É como se o cérebro estivesse do lado esquerdo do peito, sem qualquer distinção...
Segue a noite, madrugada a dentro, fria...
Solenemente vem surgindo o novo dia
E surgem, também, novas expectativas...
As velhas expectativas perdem-se com o passado...
Algumas delas são como versos de um poema inacabado,
Mas servem de inspiração para os versos de uma nova poesia...
"O Silêncio das Estrelas" - Lenine (uma música para dar mais vida aos meus versos...)
Por que as coisas são como são?
Por que a mente sufoca o coração?
Por que o sono insiste em não vir?
Por que temos tantos deveres para cumprir?
Por que nos desencontramos tanto?
Por que nos perdemos num infinito pranto?
Por que não podemos viver nossa vida?
Por que a nossa história deve ser esquecida?
Sim, a razão sempre lembra-nos
Que o coração deve permanecer quieto, calado...
E assim ele segue, sutil e inutilmente machucado...
Quem dera tivéssemos nos encontrado num outro tempo desse mesmo espaço...
Seríamos felizes, sem medos, questionamentos, sofrimentos...
Por quê? Porque viveríamos entregues aos nossos mais puros sentimentos.